HOMOFÓBICO OU MISÓHOMO?
Saltou ao meu
juízo o questionamento sobre o porquê de se identificar como homofóbico alguém
que tem aversão a homossexual. Fiquei a considerar a etimologia da palavra.
Logo surgiu a pergunta: O que é fobia? Em grego[1][1], o vocábulo é phobos.
Sua semântica original aponta para temor, terror ou espanto (susto). Outro
vocábulo é déos, com o sentido de
medo, respeito, reverência, temor respeitoso. E mais outro, deima, também com o sentido de temor,
espanto (susto)[2][2]. O sentido que a palavra fobia adquiriu na língua portuguesa não tem, necessariamente
vínculo semântico com o phobos em seu
sentido etimológico. Na verdade, em português, phobos adquiriu um sentido técnico-científico, relacionado à
psicologia e à psiquiatria. Nestas ciências, phobos identifica enfermidade. Se alguém tem fobia precisa de
tratamento. Que o digam os profissionais das áreas referidas.
O neologismo homofobia foi cunhado pelo
psicoterapeuta norte-americano George Weinberg[3][3], desde a década de 60, século XX, apresentado no ano de 1972, com o livro
“Society and the Healthy Homosexual”[4][4], [5][5]. Naquele momento, o senhor Weinberg usou o termo homofobia para se referir a um estado
irracional de mente, literalmente: “suffering from a psychological malady”[6][6], que seria manifestado por alguém que tem aversão a
homossexual. Há muito tempo, esse termo assumiu um significado que vai muito
além daquele que o psicoterapeuta norte-americano intencionou. Hoje o termo
refere-se a atos de discriminação contra homossexual. Significa dizer que uma
conceituação de homofobia ao pé da
letra não faz jus ao seu significado popular. Um conceito ao pé da letra também
não faz jus ao sentido que o psicoterapeuta deu, quando cunhou a palavra.
Percebe-se, pois, que o uso corrente encarregou-se de somar mais e mais
sentidos ao termo, como é comum no fenômeno linguístico.
O dicionário
de psicologia, a partir do Blog PSICOLOGIA ACADÊMICA, conceitua fobia como termo que vem
(do gr.
Fóbos, meter medo, espantar). Medo irracional e obsessivo de certos objectos,
seres vivos ou situações, segundo a -> psicanálise, é um sintoma de --->
neurose ou de ---> angustia que tem origem num ---> conflito ---@
inconsciente. S. ---> Freud designou-se por histeria da angústia[7][7].
As palavras irracional, obsessivo e neurose apontam para uma condição de enfermidade.
Medo irracional e persistente de um objeto, atividade ou
situação específicos (o estímulo fóbico), ocasionando um intenso desejo de
evitá-los. Isto frequentemente leva o indivíduo a se esquivar do estímulo
fóbico ou a enfrentá-lo com temor. A Fobia é um medo específico intenso o qual,
na maioria das vezes, é projetado para o exterior através de manifestações
próprias do organismo. Essas manifestações
normalmente tocam ao sistema neurovegetativo, tais como: vertigens, pânico,
palpitações, distúrbios gastrintestinais, sudorese e perda da consciência por
lipotimia. As manifestações autossômicas externadas pela fobia têm lugar sempre
que o paciente se depara com o objeto (ou situação) fóbico.
Portanto, este
conceito também aponta para uma situação enfermiça. Fica mais patente que o
indivíduo fóbico precisa de tratamento especializado.
Os humanos sofrem de muitas fobias.
Algumas podem ser citadas: Acrofobia (medo de altura), agorafobia (medo de multidão),
aracnofobia (medo de aranha), hidrofobia (medo de água, e no caso, águas
profundas), hematofobia, claustrofobia, antrofobia, androfobia e outras tantas.
Neste passo,
merece atenção um texto encontrado no site da ONU:
Em última análise, a homofobia e a transfobia não são
diferentes do sexismo, da misoginia, do racismo ou da xenofobia. Mas enquanto
essas últimas formas de preconceito são universalmente condenadas pelos
governos, a homofobia e a transfobia são muitas vezes negligenciadas[9][9].
Nesta citação,
a palavra fobia está associada a
outros termos para nivelá-los no sentido de serem reações problemáticas que
precisam de reação dos governos. O meu questionamento é: Como os governos
tratarão os fóbicos, citados no texto da ONU? Ou seja, desde que fobia é
enfermidade, como será tratado o transfóbico
(discriminação contra transexuais e transgêneros), o homofóbico e o xenófobo (do
grego, medo de estrangeiro, mas o sentido técnico usado é o de aversão a
estrangeiro). Prendê-los-á, como pode ser o caso de procedimento contra
ativistas racistas, sexista, e outros? Não seria melhor colocá-los num hospital
psiquiátrico? Afinal eles estão enfermos. Eles contraíram uma fobia. Alguém
dirá que o autor deste texto está errado, pois o sentido de fobia quando
aplicado ao sentimento de ódio a homossexual é outro. Como já foi visto, é
verdade. Mas o argumento em princípio é o de que o termo, no varejo, está mal
empregado. Desde que o seu criador era um psicoterapeuta, certamente o sentido
do termo era atinente à saúde mental. Porque se aquele psicoterapeuta houvesse
dado ao termo em questão o sentido que hoje campeia, teria sido muito infeliz na
criação do neologismo. Observem-se as outras palavras identificadoras de
problemas a serem tratados pelos governos: sexismo, misoginia, racismo e
xenofobia. Parece que os termos associados a fobia foram “inventados”, a partir do grego, por alguém que não
pensou melhor sobre o sentido dos mesmos; ou não atentou para a existência de
termos mais adequados ao que eles queriam expressar. Ou, quem sabe, o uso
social vai modelando os sentidos destes termos com o passar do tempo,
ocasionando um sentido bem diverso do que idealmente deveria ter ocorrido.
O que é
sexismo, por exemplo? Quando se diz que alguém é sexista, geralmente quer se
dizer que o tal é machista. E, neste caso, até mulher pode ser sexista. Neste
sentido há um sentimento de menosprezo ao sexo feminino. Em sentido restrito e
devido, sexismo implica em procedimentos, concretos e teóricos, que beneficiam
a um determinado gênero ou orientação sexual.
O que é
misoginia? Este termo foi elaborado a partir das palavras gregas, mísos (ódio) e gynê (mulher), implicando no sentido de ódio, desprezo à mulher. Um
misógino é alguém que não gosta de mulher. E, neste caso, a misoginia pode ser
sentimento tanto de homem, como de mulher. o sociólogo Allan G. Johnson disse:
"a misoginia é uma atitude cultural de ódio às mulheres porque elas são
femininas"[10][10]. Pode acontecer o fato de alguém
que é misógino tornar-se sexista, com possibilidade também do contrário
acontecer.
Agora, o que é
racismo? Trata-se de ideologia que preconiza a existência de raças humanas e da
superioridade de uma sobre outra ou outras. Essa ideologia pode envolver um
pensamente mais ou menos elaborado, partindo preconceituosamente de teorias
biológicas. Racismo envolve um sentimento de aversão por outros povos, etnias,
etc. Estas três manifestações humanas são evidentemente problemáticas e passíveis
de reação política governamental.
Ora, diante
destas conceituações, pode-se depreender que os termos não são escolhidos com o
devido esmero linguístico. Escolhe-se tal palavra grega, sabe-se lá como, e
todo mundo passa a utilizá-la sem uma análise crítica da mesma.
Qual é o
problema a enfrentar? Ora, se alguém padece dos sintomas seguintes, como
transpiração excessiva, taquicardia, náusea, vertigem, calafrios, dor no peito,
sensação de falta de ar e formigamento (sintomas de fobia) quando se aproxima
de uma pessoa homossexual, então é passível de ser tratado por um profissional
da saúde. Mas se o indivíduo apenas não gosta ou tem aversão a homossexual,
então podem entrar em campo os emissários do governo, como propõe o texto da
ONU. Qual é o mal do racista, por exemplo? É ter aversão a alguém que não tem
as suas mesmas características raciais[11][11]. Mas se o cidadão não tem aversão nenhuma, nem sofre dos
sintomas citados, apenas não concorda com a prática homossexual, que outro nome
pode ser dado ao tal? Da mesma forma que alguém não concorda com outras
práticas consideradas por ele como imorais e faz resistência às mesmas, pode
também considerar a prática homossexual como imoral e, por conta disso, ser
contrário à mesma. Não devendo, evidentemente, usar de termos agressivos contra
os praticantes daquela suposta opção sexual. Assim, já não se trataria de
aversão qualquer ou enfermidade, mas de uma questão de princípios pessoais
adotados por tal pessoa. Consequentemente não cabe à mesma o termo homofóbico.
Daí então a
pergunta: Diante do conceito técnico-científico dado à fobia, qual seria o
melhor termo grego para expressar a aversão que alguém sente pela
homossexualidade, chegando mesmo a usar de agressividade?[12][12] Existe termo grego adequado ao caso. É o que se verá a
seguir.
Siga-se o
raciocínio seguinte: A palavra homossexual foi forjada a partir do grego, homós [13][13] (igual) e do latim, sexus
(sexo). Resultado: homossexual. Ou Seja, sexo igual, mais propriamente a ideia
é: ter atração sexual por alguém do mesmo sexo. Para se identificar a reação
contrária a este interesse sexual, pensou-se na palavra grega phobia, unindo-a a palavra homós, surgindo assim, homofobia. Por
que o criador de tal proeza linguística não atentou bem para o sentido de phobos, pelo fato de que seu significado é apenas medo? Será que
o seu criador queria mesmo dizer que se alguém é homofóbico está mesmo enfermo?
Ou será que ele não gostou da palavra mísos?
Como foi
visto, do grego, mísos (ódio,
aversão) e gynê (mulher). Partindo-se
do pressuposto de como a palavra homofobia foi forjada, pode-se fazer uma
mudança, colocando-se a palavra “mísos”
no lugar de fobia. A palavra proposta apareceria assim: homómiso ou “misóhomo”; literalmente: Ódio ao igual, aversão ao
semelhante, ou, como aconteceu com homofóbico, aversão a quem gosta de
sexo com pessoa do mesmo sexo. Acredito que, desta forma, melhor estaria
identificado o indivíduo que tem aversão ao homossexual. Esse sim, estaria no
mesmo pé de igualdade com o racista, com o misógino, com o xenófobo (e por que
não misóxeno?). E assim os governos poderiam agir devidamente em suas políticas
antiperversidade.
Agora não
sendo mudada a palavra que identifica os que têm aversão ao homossexual, há de
se enfrentar a consideração de enfermidade atribuída aos chamados homofóbicos
por conta do peso técnico-científico de quem é identificado como fóbico. É aí
que mora outra problemática: os identificados como homofóbicos pelos
homossexuais poderão recorrer também à justiça para denunciar o fato de que
estão sendo discriminados como enfermos, quando, na realidade, não o são.
E se o são, por que não são tratados como tais? Poderiam requerer laudo
médico diante do juiz, por parte de quem os discrimina. Resolva-se o caso! Ora!
O problema se agrava, de vez que os homossexuais estão a rejeitar o termo homossexualismo como referência à
pratica homossexual, alegando que o tal termo refere-se a enfermidade, como é o
caso de botulismo, raquitismo, etc. E homossexual não se considera enfermo. Por
que o indivíduo que tem aversão a homossexual aceitaria ser colocado entre os
fóbicos? Pior ainda, os cidadãos que não tem aversão a homossexual, mais apenas
rejeitam a prática como obscena, poderiam também recorrer aos tribunais, pois
que também não estão enfermos.
En passant, alerto aos amigos homossexuais, que precisam entender que
a sociedade sempre faz resistência ao que é “novo” para ela. Uma resistência semelhante
aconteceu em relação a outras aproximações de mudanças. O desquite e o divórcio
receberam resistências semelhantes. É sabido como os divorciados são vistos
ainda em alguns setores da sociedade; a segregação que sofrem e os vitupérios
que são forçados a ouvir, por conta de serem considerados adúlteros se contraem
novas núpcias, por exemplo, por muitos religiosos. Portanto, caros amigos
homossexuais, tenham paciência. Paulatinamente, a sua hora chegará. Lutem, mas
não agridam! Se assim o fazem, igualam-se aos seus aversivos. E se não seriam
considerados fóbicos, sê-lo-iam, no mínimo, mísos,
pois estariam também expressando uma aversão aos seus contrários.
Vale aqui o
estribilho da Canção dos Tamoios, de Gonçalves Dias:
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.
Willians Moreira Damasceno
[1][1] Por conta
de muitos internautas não possuírem a fonte de letra grega que poderia ser
usada pelo autor, as palavras gregas serão transliteradas.
[2][2] A língua
grega ainda possui outras palavras que são associadas ao medo, como panikós, tromára, phríkê, phikaleótêta.
[3][3] Se
interessar a leitura de uma entrevista com o psicoterapeuta:
http://www.pflagdetroit.org/george_weinberg.htm
[4][4] http://en.wikipedia.org/wiki/George_Weinberg_(psychologist) – site
visitado em 17 de março, às 05:40 h.
[5][5] “Comments on the psychological
factors underlying hostile public attitudes toward homosexuals and offers
counseling to help individuals accept their homosexuality”. http://us.macmillan.com/societyandthehealthyhomosexual/GeorgeWeinberg.
[7][7] http://psicologiacademica.blogspot.com/2010/05/dicionario-de-psicologiaf.html - consultado em 14/03/2013, às 09:21 h.
[9][9] http://www.onu.org.br/no-brasil-250-pessoas-foram-assassinadas-em-ataques-homofobicos-ou-transfobicos-em-2010-alerta-alta-comissaria-de-direitos-humanos-da-onu/. Site
visitado em 14 de março de 2013, às 08:29 h).
[10][10] http://psicologiajuridicaecriminal.blogspot.com.br/2012/10/sindrome-misoginia-odio-ou-desprezo.html#!/2012/10/sindrome-misoginia-odio-ou-desprezo.html. Consultado
em 17/03/2013, às 09:53 h.
[11][11] O conceito de raça perdura apenas
no âmbito social e político, embora cientificamente não seja mais adequado esse
conceito.
[12][12] O questionamento é pertinente, pois
que os homossexuais, já instruídos, preferem a palavra homossexualidade à
palavra homossexualismo, pois que ismo, neste caso, refere-se a doença. E
homossexual não se como alguém portador de enfermidade por conta de sua
sexualidade.
[13][13] Esta palavra grega possui um sinal
sobre a sua primeira letra (omicrón), chamado aspiração áspera (um apóstrofo ao
contrário – ‘ ) que tem o som do hagá inglês (house). A nossa palavra hora também vem do grego e tem o mesmo
sinalzinho. Por isso que se coloca um hagá antes de hora, homossexual,
hospital, e outras palavras. Mas a nossa palavra “rodovia”, que vem também do grego, hodós (pronúncia: rodós -
caminho, estrada), é pronunciada levando-se em consideração o som do hagá
inglês, que resultou em som de erre. De sorte que, em grego, a pronúncia de hora é rôra; a de homós, é romós.

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